quinta-feira, 7 de março de 2024

Sobre a sombra dos 30

    Existe uma pressão social enorme quando você está chegando aos 30 anos, e ela engloba uma série de coisas. Aos 30 você precisa ser bem sucedida ou estar em ascensão, ter ido para fora do país pelo menos uma vez (nem que seja para a Argentina), ter um relacionamento estável, um corpo saudável e não morar mais com os pais. No mínimo. 

    Conversando na terapia há alguns anos, quando estava para fazer 26, debatemos sobre: mas afinal, a pressão é social de fato ou parte de nós mesmo? Não conseguimos um veredito entre um e outro, mas sim uma mistura dos dois. Acredito que sim, existe uma sementinha plantada quando você recebe a pergunta sobre se fez algo daquelas coisas citadas acima. E então você mesmo cultiva essa semente na sua cabeça, você acaba se pressionando inconscientemente (ou conscientemente às vezes). E então vira um ciclo de comparação com os outros e autodepreciação.

    Seria tão mais fácil ligar o botão do foda-se e apenas viver né?! Por que somos programados à isso? A sempre nos compararmos com os outros e a nos inferiorizarmos? A sempre querer fazer parte desse padrão pré-estipulado de coisas a serem feitas com idade x ou y? 

    Eu tenho pensado muito nos meus 30 anos ultimamente, e muito sobre todas as coisas desta lista que trouxe no início desse post. E por conta disso resolvi vir aqui (depois de tantos anos), escrever para ver se assim consigo libertar um poucos desses pensamentos que têm me sufocado. Eu cheguei a conclusão de que, para mim, é impossível não me comparar com as outras pessoas. Sério, juro que tento! Hoje faço menos do que fazia nos anos passados, claro, a maturidade e as experiências da vida ajudam nisso. Mas acho que nunca vou conseguir zerar este traço em mim. E como eu disse anteriormente, com a comparação vem a inferiorização e a autodepreciação. Tudo isso às vezes dói, sabe? Pesa na mente e no peito, e sufoca. 

    Chegar aos 30 e não ter uma carreira me assusta, me deixa em pânico. Me faz sentir inútil, como se tudo que eu tivesse feito até agora fosse em vão, não tivesse valido de nada. E o pior é que eu tenho noção de que isso é apenas coisa da minha cabeça, que não faz sentido lógico algum (logo eu, que adoro lógica), assim como sei que quando eu ler isso daqui uns 10 anos, provavelmente darei risada. Mas, não posso invalidar meus sentimentos, não posso simplesmente ignorá-los (outra análise que aprendi nos anos de terapia). Por conta disso, tenho tentado me munir de ferramentas que me tirem desse vórtice de caos, mas isso têm me deixado mais angustiada, confusa e frustrada. 

    Às vezes tenho vontade de sair correndo e me esconder, de fugir para bem longe e gritar. Como se fugir fosse resolver os problemas, e gritar fosse aquietar a voz na minha cabeça. 

    Me incomoda ter esses pensamentos logo agora, quando me encontro no momento mais feliz na minha vida. Quando encontrei uma pessoa que é simplesmente incrível! Que me faz sentir tão bem, tão amada, tão respeitada, ouvida, benquista. Me chateia não estar 100% plena para viver isso, mas afinal, quando estamos 100% plenas, não é mesmo? 

    Preciso me lembrar de não me cobrar tanto, de não ser tão dura e rígida comigo, de não deixar com que esses pensamentos me afetem tanto quanto vêm afetando ultimamente. Preciso me lembrar constantemente de viver o simples da vida e não me deixar levar por todos esses padrões impostos, por toda essa loucura e velocidade do dia a dia. Preciso me lembrar de fazer o que me faz bem. O que me faz bem?

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Sobre redescobrir-se

    Sinto que me perdi em algum momento e isso me assusta demais.

    A cada dia que passa me sinto mais só, como se estivesse parada no tempo e todos ao meu redor estivessem seguindo com suas vidas. Talvez seja isso mesmo, ou talvez seja só minha minha mente me depreciando, não sei. Eu não sei e no momento não estou a fim de saber.

    O que estou realmente querendo saber é como seguir a diante? Como se reerguer? Como ocupar a cabeça com outras coisas e não com memórias? Ah, as memórias. Elas vêm como ondas gigantes em meio a tempestade. Quando acho que está tudo bem, vem uma onda dessas e vira meu barco. É difícil, doloroso, complicado e, seguindo a analogia, sufocante.

    Eu repito na minha cabeça, e às vezes em voz alta, que "sou forte", que "eu consigo", mas falar isso em meio ao choro não é muito eficaz. Fico me perguntando em que momento me perdi, em que momento afundei, em que momento deixei isso acontecer... Mas não sei as respostas. E para ser bem sincera, não sei se essas respostas mudarão algo agora. Acho que elas serviriam apenas para que isso não acontecesse mais.

    Sinceramente, não sei qual o próximo passo. Não sei se devo tentar me reerguer agora ou viver este luto. Até quando é válido viver o luto? Ou quando é momento certo para se reerguer?
Sinceramente, não sei de mais nada.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Sobre momentos e mudanças

    É com lágrimas nos olhos que começo a escrita desta postagem. Quando comecei este blog/diário, era uma garota de 17 anos, terminando o ensino médio, porém já sabia algumas coisas da vida. De lá para cá, poucas coisas mudaram. Hoje, sou uma mulher, com 22 anos, terminando a (espero eu, primeira) graduação em um universidade federal de renome e continuo acreditando em muitas coisas que meu eu, de 6 anos atrás, acreditava.

    Foram 6 anos bem (bem!) complicados. Muitas perdas, muitas mesmo! Perdas de amigos e parentes queridos, que foram fazer parte de um mundo melhor. Perdas materiais, que seriam hipocrisia dizer que não importaram, que o importante é ter saúde e todo esse discurso, porque sim, essas coisas materiais importavam. Elas foram adquiridas com esforço, tempo, necessidade e desejo. Perdas financeiras, perdas de saúde, de amizades, de fios de cabelo, de tempo, de sentimento, de vontades, de sonhos... A lista é imensa.

    Mas houve muitos ganhos ao longo deste 6 anos. Ganhos de saúde, de amizades, de conhecimento, de tempo, de sentimentos, de sonhos... No fim, as coisas acabam se equivalendo (e olha que matemática não é meu forte).

    Mas meu objetivo não era escrever sobre o tempo que passou desde quando comecei aqui, ou o fato de fazer quase exatos 4 anos da última postagem. Meu objetivo é escrever coisas que vêm me em pensamentos nas últimas madrugadas. As coisas escritas na madrugada de hoje serão diferentes dos pensamentos e conclusões tidos na madrugada passada, que foram diferentes dos pensamentos e conclusões da madrugada de anteontem, e assim por diante.

    Enfim, e em fim, semana passada fez 1 mês do término de uma relação incrível de 1 ano, 11 meses e 21 dias. Dois anos, vai. Uma relação incrível de 2 anos. Minha intenção não é tornar isto uma indireta, nem uma direta, na verdade não sei nem se alguém está lendo isso. A ideia é apenas desabafar, como já fiz (e pretendo fazer) aqui tantas vezes antes. Dessa relação de 2 anos aprendi muitas coisas. Aprendi muito sobre amor, em sua mais pura forma. O amor que sentia e recebia era puro, grande, lindo. Aprendi muito sobre respeito, sobre confiança, sobre paciência, sobre se doar, aprendi muitas coisas e infelizmente nem todas de experiências boas. O mês que antecedeu este fim foi difícil. Magoar-se e decepcionar-se é muito difícil, principalmente vindo de uma pessoa que você ama tanto. Entender o pensamento que levou a pessoa amada a lhe fazer isso, é um trabalho duro, que dói a cabeça e demora. Superar e esquecer essa mágoa e decepção, requer mais de 1 mês.

    É muito complicado ouvir certas coisas depois de meses de doação e amor intenso, é muito difícil perceber coisas que aconteciam de forma inconsciente pela outra pessoa. Houve dias em que a tristeza era tanta que nem lágrimas saiam. Já sentiram isso? Uma tristeza tão grande que nem chorar você consegue? Uma nova e inteligentíssima amiga me fez essa pergunta um dia desses, e foi como um estalo na minha mente. Me culpava por não ter chorado, ou ter chorado muito pouco, e então me dei conta de que foi isso: a tristeza toca tão fundo no teu ser, que seca tudo.
Quem sabe um dia essas coisas virem passado?! Quem sabe eu consiga superar tudo isso?! Não sei. Não posso afirmar nada, pois não sei do futuro.

    Ao outro lado desta relação de 2 anos eu só desejo coisas boas. Por mais que tenha me magoado e me decepcionado, eu não desejo o mal. Não, muito longe disso. Não há como desejar mal quando há uma história tão linda e intensa por trás de tudo. Quando ainda resta amor. Pois um amor grande desses não acaba assim, de um mês para outro. Na verdade nem sei se acaba. Não sei de muitas coisas.

    Bem, termino este post com ainda mais lágrimas nos olhos, mas com a única certeza de que isso passará.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sobre descobrir

    Atualmente descobri muitas coisas. Descobri mentiras, verdades, amigos, pessoas... Descobri tudo, e no final o mais importante eu não sei. Quem sou? O que estou fazendo? O que quero? Eu.

    É meio egoísta eu sei, mas sejamos sinceros: é tão mais fácil descobrir os outros do que nós mesmo. É tão mais prático saber sobre os outros, tão menos trabalhoso entender, ou achar que entendemos, os outros do que nós mesmos. Achar que entendemos porque, bem, se não nos descobrimos ao certo, logo, o que mostramos aos outros não seria nós, puramente, nossa essencial, nosso "eu verdadeiro". É muita filosofia para mim.

    Descobri que tenho uma capacidade imensa de perdoar facilmente e isso me espantou de tal forma, que não consigo explicar com palavras. (Talvez em expressão corporal? Quem sabe.)
Sinceramente? Não guardo mágoas do passado. Nenhuma. Como se nada tivesse existido. Isso é espantoso, uma vez que as "pancadas" foram ferozes.

    Agora, o presente me surpreende. Pessoas, decepções, verdades, tudo isso me deixa psicologicamente confusa (e olha que não gosto de psicologia).

    É como se você não reconhecesse mais as pessoas à tua volta e consequentemente, você não se reconhece mais. Começa a pensar se o problema está em você, ou nas pessoas.

    Um misto de pensamentos. Beirando a loucura e a melancolia.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Insonia solitária - parte 1

Sinto como se houvesse um ácido corroendo-me internamente. Lentamente. Incessavelmente.

Desamor. Desilusão. Decepção. Desliga. Eu.

Palavras que ao meu ver fazem parte de um mesmo conjunto.

Tudo tão frio. Tão cruel.

Me falaram que tenho coração de gelo para relações amorosas. Por isso faço parte daquele conjunto de palavras.

Tudo tão frio. Tão só.

Têm horas que chego a conclusão de que eu sou o problema. Outrora concluo que o problema está nos outros. É tão mais fácil por a culpa nos outros né? Sinto que nunca chegarei a uma conclusão final. Para quê afinal?

Por que sou tão destrutiva? Tão eu? Sinceramente não queria me ser. É horrível me ser. É decadente, destrutivo, solitário.

Sinto que essa tristeza corrosiva não vai passar. Simplesmente sinto que mudei.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sobre um navio e sua capitã

    Conta-se que havia um navio deslizando suavemente pelas águas límpidas do oceano. Nele, havia apenas a capitã a bordo. Sozinha. Neste oceano eles encontravam uma correnteza aqui, uma tempestade acolá, mas nada muito grave.
    
Eis que eles, navio e capitã, entraram em uma guerra, uma grande guerra aos olhos da jovem capitã, mas nada muito grandioso para o experiente navio. O navio sofre alguns aranhões, nada muito grave. Porém a capitã sai bastante machucada, mas recupera-se rápido.

    Então eles enfrentaram outra guerra, mais intensa e acompanhada de uma tempestade fortíssima. O forte e experiente navio fica estraçalhado e acaba naufragando. Sua jovem capitã consegue, com as poucas forças que lhe restam, agarrar-se a um dos maiores pedaços que sobrou de seu navio, escapando assim de um afogamento.

    Atualmente, dizem que a jovem capitã encontra-se numa ilha, escondendo-se de tudo e de todos, construindo um novo navio a partir do pedaço de casco que a salvou. Desta vez será a mais experiente, e só partirá da ilha quando seu navio estiver total e completamente reconstruído. Quanto tempo isso levará? Dias, semanas, meses, anos... Quem poderá saber?

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sobre perda.

    Você já sentiu medo de perder alguém que você ama muito? Nem que seja por um segundo apenas, já sentiu? Mesmo quando as chances de isso acontecer sejam mínimas, mas você se sente inseguro por um instante e pronto, o medo de se instala e apodera-se totalmente de você. Ai você fica cabisbaixo, triste, e matutando sobre o assunto (sim, estou passando por isso nesse exato momento).

    E por mais que a pessoa que te garanta, "jure de dedinho" que isso não vai acontecer nunca (!), você continua na mesma "bad vibe".

    Sua imaginação começa a criar cenas em que a pessoa vai embora, se afasta de você, te abandona e isso vai agravando cada vez mais seu medo, seu anseio, sua angústia. E para piorar, ela junta-se (com super bonder, que fique claro!) com a distância, e ai fodeu de vez. É "bad vibe" na certa. Imaginação e distância, ferramentas que podem ser tão bondosas e lindas algumas vezes, entretanto tão cruéis e ardilosas noutras.
A questão é, que para nossa sorte, esse medo passa com o tempo (horas, dias, semanas).

    Você já sentiu medo de perder alguém que você ama muito?