quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sobre descobrir

    Atualmente descobri muitas coisas. Descobri mentiras, verdades, amigos, pessoas... Descobri tudo, e no final o mais importante eu não sei. Quem sou? O que estou fazendo? O que quero? Eu.

    É meio egoísta eu sei, mas sejamos sinceros: é tão mais fácil descobrir os outros do que nós mesmo. É tão mais prático saber sobre os outros, tão menos trabalhoso entender, ou achar que entendemos, os outros do que nós mesmos. Achar que entendemos porque, bem, se não nos descobrimos ao certo, logo, o que mostramos aos outros não seria nós, puramente, nossa essencial, nosso "eu verdadeiro". É muita filosofia para mim.

    Descobri que tenho uma capacidade imensa de perdoar facilmente e isso me espantou de tal forma, que não consigo explicar com palavras. (Talvez em expressão corporal? Quem sabe.)
Sinceramente? Não guardo mágoas do passado. Nenhuma. Como se nada tivesse existido. Isso é espantoso, uma vez que as "pancadas" foram ferozes.

    Agora, o presente me surpreende. Pessoas, decepções, verdades, tudo isso me deixa psicologicamente confusa (e olha que não gosto de psicologia).

    É como se você não reconhecesse mais as pessoas à tua volta e consequentemente, você não se reconhece mais. Começa a pensar se o problema está em você, ou nas pessoas.

    Um misto de pensamentos. Beirando a loucura e a melancolia.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Insonia solitária - parte 1

Sinto como se houvesse um ácido corroendo-me internamente. Lentamente. Incessavelmente.

Desamor. Desilusão. Decepção. Desliga. Eu.

Palavras que ao meu ver fazem parte de um mesmo conjunto.

Tudo tão frio. Tão cruel.

Me falaram que tenho coração de gelo para relações amorosas. Por isso faço parte daquele conjunto de palavras.

Tudo tão frio. Tão só.

Têm horas que chego a conclusão de que eu sou o problema. Outrora concluo que o problema está nos outros. É tão mais fácil por a culpa nos outros né? Sinto que nunca chegarei a uma conclusão final. Para quê afinal?

Por que sou tão destrutiva? Tão eu? Sinceramente não queria me ser. É horrível me ser. É decadente, destrutivo, solitário.

Sinto que essa tristeza corrosiva não vai passar. Simplesmente sinto que mudei.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sobre um navio e sua capitã

    Conta-se que havia um navio deslizando suavemente pelas águas límpidas do oceano. Nele, havia apenas a capitã a bordo. Sozinha. Neste oceano eles encontravam uma correnteza aqui, uma tempestade acolá, mas nada muito grave.
    
Eis que eles, navio e capitã, entraram em uma guerra, uma grande guerra aos olhos da jovem capitã, mas nada muito grandioso para o experiente navio. O navio sofre alguns aranhões, nada muito grave. Porém a capitã sai bastante machucada, mas recupera-se rápido.

    Então eles enfrentaram outra guerra, mais intensa e acompanhada de uma tempestade fortíssima. O forte e experiente navio fica estraçalhado e acaba naufragando. Sua jovem capitã consegue, com as poucas forças que lhe restam, agarrar-se a um dos maiores pedaços que sobrou de seu navio, escapando assim de um afogamento.

    Atualmente, dizem que a jovem capitã encontra-se numa ilha, escondendo-se de tudo e de todos, construindo um novo navio a partir do pedaço de casco que a salvou. Desta vez será a mais experiente, e só partirá da ilha quando seu navio estiver total e completamente reconstruído. Quanto tempo isso levará? Dias, semanas, meses, anos... Quem poderá saber?

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.